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Criptovação

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Ressurgimento das NFTs é uma ótima notícia para experiências inovadoras

domingo, 09 de abril, 2023 - 11:27

Felipe Maia

Confesso: quando as NFTs se tornaram o assunto do momento no primeiro trimestre de 2021, os olhei com certo ceticismo. Com o mercado movimentando mais de US$ 200 milhões em tokens não-fungíveis no período, ainda tinha minhas dúvidas sobre como este tipo de ativo seria atrativo.

Pensei muito sobre o assunto quando li uma notícia sobre a Decentralized Autonomous Organization (DAO) ter pago US$ 3,04 milhões pela versão de Duna escrita do diretor Alejandro Jodorowsky 一, ou melhor, o livro escrito por ele para a famigerada adaptação cinematográfica da década de 1980.

Só existem vinte versões no mundo. Sim, uma raridade. O plano era transformar cada página em NFTs e usar esta verba para fazer um spin off do clássico da ficção científica 一 o ótimo filme de Denis Villeneuve acabara de ser lançado.

O grupo esqueceu de um ponto: eles não adquiriram os direitos cinematográficos de Duna e não poderiam produzir a adaptação. Quer dizer, não sem complicações legais. Por isso, a DAO se tornou piada nas redes sociais 一 embora há quem acredite que o objetivo da ação tenha sido gerar mídia, o que de fato aconteceu.

Por que estou falando disso? Foi uma maneira inovadora de usar NFTs. Não o famigerado “vender um GIF de macaco por caminhões de dinheio” que os críticos deste ativo tanto dizem de maneira pejorativa. E foi aí que minha opinião sobre o assunto começou a mudar.

E não só a minha. Segundo o estudo da Binance Research, as NFTs movimentaram US$ 24,7 bilhões no ano passado. Foi um aumento de 10% em relação a 2021, mostrando o tal do inverno cripto passando longe deste ativo.

Devin Finzer, CEO do Open Sea, disse que o principal motivo deste reaquecimento do mercado é o fato de uma ressignificação de como usar NFTs. Não é mais só uma maneira de colecionar arte, mas sim uma maneira de inovar nos negócios. Inclusive, recomendo a leitura desta entrevista dele à Época Negócios.

Fonte de receita? NFTs proporcionam experiências

Na indústria cultural, por exemplo, vejo que as NFTs podem ser usadas para estreitar laços com o público e gerar novos tipos de experiências. Claro, os artistas podem usar este tipo de ativo para vender arte como se estivessem no começo de 2021. A questão é: vale a pena?

Não acho. Criar conteúdos de bastidores, músicas exclusivas ou até a venda de direitos atuais são formas mais inteligentes de usar as NFTs 一 agregar valor ao público é sempre a maneira mais eficiente de usar a tecnologia para gerar receita.

Pegando o gancho do mundo artístico, é possível até usar NFTs para a venda de ingressos. Não preciso nem falar sobre segurança e transparência à transação porque é óbvio, mas sim de como criar uma experiência 一 pode ser acesso a setores exclusivos ou até conteúdo sob demanda. E, é claro, isso pode se aplicar a qualquer tipo de evento.

Como aprendemos na pandemia, é necessário pensar em maneiras de inovar no formato do evento. Seja presencial ou digital, não dá para fazê-lo sem tecnologia 一 e, consequentemente, como usá-la para criar experiências inovadoras.

Nos últimos anos, conversei bastante com o Lucas Longhi, CEO da plataforma para streamers IOXtream, sobre o assunto. Caso você não conheça, é uma rede de engajamento P2P que junta streamers, público e desenvolvedores para alavancar a comunidade 一 e, é claro, a solução.

A IOXtream decidiu usá-las para tornar as transmissões ao vivo dos criadores de conteúdo mais imersivas. Ou seja, eles possuem uma lista de NFTs parceiros que podem ser vendidos durante os streams 一 e, quando comprados, desencadeiam ações específicas na tela.

Entendo o receio de muitos em relação às NFTs, até porque já fui detrator do ativo. Só que não dá para negar o potencial da Web3 para gerar experiências e negócios inovadores. Novas tecnologias e paradigmas disruptivos sempre possuem valor, com o mercado sempre os direcionando para cumprir seu papel.

Foi o que aconteceu com as NFTs. E este mercado está ressurgindo para ter ainda mais impacto na sociedade. Que bom, né?

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da MyCryptoChannel.